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Por  Terezinha Barreiro (*)

Dentre tantos problemas que surgiram com a civilização, hoje observamos um fenômeno que já está pra lá de categorizado: a síndrome do holofote, ou melhor, dizendo, a necessidade incontrolável em ser o centro das atenções, de “roubar a cena”, de querer ser o “umbigo” do mundo.

Essas pessoas vivem em constante desafio com os que o cercam e, às vezes, até com uma nação inteira.

Trata-se daquele “arroz de festa” que, como o termo mesmo se refere, está em todos os lugares, em todas as situações, desde casamentos até inauguração de botequins. Algo muito forte o impele compulsivamente a tentar sempre, sob qualquer preço ou medida, ser o centro das conversas, empurrando, às vezes de forma literal, pessoas que estão ao seu lado, tudo com o propósito de sair em todas as fotos, matérias, jornais e notícias, ou mesmo na internet e em redes sociais. Conseguimos detectar esse comportamento desde artistas até o mais vil dos anônimos.

Para essas pessoas, qualquer oportunidade será uma chance que não pode ser perdida. Esquecem estes, que sentimentos negativos são gerados em quem os cercam, tornando-se assim pessoas inconvenientes, chatas e sem medidas,  porque a “necessidade de aparecer” também tem sua contramão, como tudo na vida, e neste caso, ela vem com o repúdio, o desgaste da imagem, a intolerância e o valor negativo impresso e associado a sua foto ou presença.

O maior cuidado que temos que ter diante desse quadro sombrio de distúrbio de personalidade é justamente quando as luzes se apagam e estes são obrigados a viver como simples mortais ou até anônimos. São sempre imprevisíveis as reações, mas em geral, a agressividade, em todas as suas formas, será seu principal sintoma de abstinência. Cabe a cada um de nós, observadores dessa sintomatologia, lembrar que as luzes da ribalta sempre se apagam no final do espetáculo e que aqueles que não se dão conta disso, acabam queimados como as mariposas iludidas com uma luz que nunca foi sua.

 

 

Postagem Original:

BARREIRO, Terezinha. A Síndrome do “Holofote”. Beth Michel Blog. Disponível em: <http://bethmichel.com.br/?p=7708>. Publicado em: 10 abr. 2012.

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(*) Terezinha Barreiro
Escritora, Psicóloga Clínica e Sexóloga

 

 

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